4:43 da manhã. 13/11/2017…
Pera lá, DOIS MIL E DEZESSETE?
Estamos mais perto de 2020 do que de 2010.
Estamos mais perto de 2030 do que de 2000.
Estamos na mesma distância de 1987 e 2050.
A Persistência da Memória - Salvador Dalí.
A sensação de tempo passando me incomoda demais. O excesso de informação eleva ainda mais essa sensação. O tempo está passando e o que você está 'fazendo da vida'? O que eu estou fazendo da vida? Há algo a 'ser feito'?
Creio que seja tudo mero egocentrismo meu, visto que, não faz diferença nada que eu faça por aqui, nem que seja uma descoberta histórica, uma façanha extraordinária, até mesmo essas serão esquecidas.
O que?
Você sabe o nome de algum dos projetores do Farol de Alexandria?
Sabe o nome de algum arquiteto gótico?
Lembra o nome de algum comandante da Primeira Guerra Mundial?
Claro que temos os 'Alexandres', os 'Jesuses' e outras grandes figuras carimbadas da história humana que são lembrados por mais tempo, porém até estes serão esquecidos. E que diferença faz?
''Se é assim, pense bem…Por qual motivo você ainda não realizou seu sonho? Por qual motivo você não 'corre atrás'? Por qual motivo você não sai por aí 'metendo o louco'?''.
É isso que eu me pergunto todos os dias. A melhor resposta creio que seja:EU NÃO SEI 'busca por prazer já não me é prazerosa'. Minhas ambições acabaram, e um ser humano sem ambições em uma sociedade pautada por consumo e venda de sonhos é praticamente um corpo morto.
É isso que eu me pergunto todos os dias. A melhor resposta creio que seja:
Neste momento eu me pergunto: 'O que vai ser de mim?'. Me imagino com 35 anos, tendo uma carreira que eu nunca realmente quis ter, vivendo nervoso, cada vez mais isolado e sozinho até que um dia estarei de saco cheio e 'puff', darei um fim nisto. Isso em um caso otimista, provavelmente acabarei em algum ''sub-emprego'' qualquer, passando aperto e apenas sub-existindo.
Meu conselho para pessoas 'normais' foi sempre o mesmo: 'Corra atrás dos seus sonhos, você vai conseguir!'. Soa até meio controverso, porém, digo por experiência: É melhor lidar com os problemas do sistema do que lidar com os problemas de estar 'fora dele'.
Funciona mais ou menos como a relação da personagem 'Cypher' com a Matrix No filme Matrix. Ele primeiramente optou pela liberdade (pílula vermelha), porém, a liberdade vinha com um grande preço a ser pago: viver em uma nave sendo caçado por agentes pelo resto da vida, porém Cypher foi esperto, apesar de trair Morpheus, ele optou por um trato com o inimigo: Seria colocado de volta na Matrix sem lembrar de nada, ele continuaria sendo explorado pelas máquinas, porém sem ter a consciência disto, e em troca entregaria Morpheus e sua turminha do barulho...Ele também impôs uma série de condições materiais, mas o que importa é o velho conceito de: A ignorância é uma bênção.
Cypher, o homem que foi consciente.
Se você quiser assistir esta cena clique aqui.
Não, eu não estou me chamando de iluminado, muito menos me colocando acima dos demais. Acontece que ao me deparar com todo o vazio existente na vida sociedade atual eu acabei por ficar de fora dela. É aquela velha balela que todo metido a revolucionário repete feito papagaio: 'Você trabalha feito louco para comprar coisas que não precisa e blá blá blá...'. Porém, ao contrário dos revolucionários, eu não culpo o sistema capitalista, eu não culpo ninguém.
Tudo não passa de construção social, mera balela resultado de nossa consciência. 'Na teoria' fomos feitos para seguir o fluxo da natureza: sobreviver, reproduzir e morrer, mas nossa consciência quebra essa escala. Criamos direitos, costumes, noções de 'certo e errado'...Enfim, criamos a sociedade em si, porém uma vez com essa noção, a sociedade em si perde o valor.
Eu achava (acho) que era tarde demais para mim, talvez não fosse para os outros. Portanto eu sempre os aconselhava a seguir perseguindo seus sonhos, continuar na 'rodinha de Hamster' -a melhor forma de se viver- e eu me lamentava todos os dias por ter 'pulado fora dela', ao menos ideologicamente.
Eu costumava me irritar com esse caldeirão ideológico que a internet se tornou, costumava me irritar com feministas, veganos, conservadores, ancaps, comunistas, capitalistas...Eu era arrogante, pensava comigo: 'Será que eles não conseguem ver? Não é possível, até eu, um ser humano de inteligencia mediana consigo e todo o resto não?'. Não mais. Creio que finalmente entendi.
O capitalismo transformou tudo em bens de consumo, inclusive ideologias. O sistema não se importa se você é comunista ou anarquista, pelo contrário, ele incentiva a pluralidade de ideais e causas no geral, mas, ele também pede algo em troca: Você tem que consumir.
Você pode ser comunista sem problema nenhum, só que tu deve ter um emprego para comprar uma jaqueta da CCCP no Aliexpress, comprar o Manisfesto na livraria e escutar Rage Against The Machine no Youtube.
Por qual motivo vocês acham que a elite financeira mundial financia todos esses movimentos pós-modernos? Não, o George Soros não é comunista, ele apenas quer que todas as minorias sintam-se acolhidas dentro do sistema. Ele quer que todos estejam consumindo. É uma matemática bem simples:
Menos gente excluída do sistema = Mais gente consumindo.
Mais gente consumindo = Mais dinheiro para o empresário.
O raciocínio é mais ou menos como quando a escravidão chegou ao fim.
Escravos livres e assalariados + imigrantes europeus = Maior mercado consumidor.
Maior mercado consumidor = Mais dinheiro rodando.
Soma-se a isso o fato de que o sistema democrático caiu perfeitamente nessa estrutura: A democracia dá ao 'cidadão comum' uma falsa sensação de poder, uma falsa sensação de escolha. As pessoas vão votar com a esperança de alguma mudança, as pessoas derrubam ou trocam os presidentes e acham que algo vai melhorar sem sequer pensar que todos os candidatos estão nas mãos dos mesmos banqueiros e afins.
Religiões seguem fazendo seu papel, que aliás, sempre foi o mesmo: manter o pessoal na linha através de ameaças e medo.
Desde esportes até vídeo games...indústria cinematográfica, música...Enfim, o que você quiser consumir o sistema vai oferecer. O entretenimento também se tornou uma indústria.
Para finalizar a receita de sucesso temos as redes sociais, a cereja do bolo. Com a falsa sensação de liberdade e a falsa sensação de poder garantidas faltava apenas a falsa sensação de que sua opinião importava. Essa função era da imprensa até a popularização em massa das Redes Sociais.
Agora o 'cidadão comum' tem um palco para 'expor ao mundo' o que ele pensa, ele tem um lugar para ser ouvido, ele tem um lugar para manifestar sua raiva e revolta...Um lugar para reafirmar suas opiniões e noções de mundo durante todo o dia, um lugar para fazer piadas e outra infinidade de coisas.
Tendo uma causa/ideologia/religião você tem esperança.
Tendo opção de manifestar sua ideologia política nas urnas você acha que está fazendo algo.
Tendo uma rede social você 'luta' por algo, você se sente parte de algo.
Se nada disso te afagar o suficiente, você ainda tem a opção de ir a uma missa, ou então, assistir a um jogo, ou filme...e voilà...Temos uma sociedade facilmente manipulável e controlada, uma sociedade onde as pessoas começarão a trabalhar aos 18 anos e o farão até o dia de suas mortes sem reclamar de nada e ainda irão agradecer pela 'oportunidade'.
Tendo opção de manifestar sua ideologia política nas urnas você acha que está fazendo algo.
Tendo uma rede social você 'luta' por algo, você se sente parte de algo.
Se nada disso te afagar o suficiente, você ainda tem a opção de ir a uma missa, ou então, assistir a um jogo, ou filme...e voilà...Temos uma sociedade facilmente manipulável e controlada, uma sociedade onde as pessoas começarão a trabalhar aos 18 anos e o farão até o dia de suas mortes sem reclamar de nada e ainda irão agradecer pela 'oportunidade'.
Isso sem se esquecer da pressão moral que existe para que todos façam parte do sistema e qualquer um que fuja disso seja taxado como louco, ou vagabundo.
O sistema é praticamente perfeito.
George Soros, um desconhecido e um dos 400 bilhões de Rothschild existentes.
Todos preocupados com sua discussão ideológica na internet.
Agora vem a parte cômica e trágica, aqui estou eu, no auge da hipocrisia, expondo minhas ideias em uma rede social, procurando um emprego para consumir coisas que não preciso, assistindo futebol quase sempre, jogando videogame rotineiramente e fazendo uma faculdade por pressão social...
Eu sou como a feminista debatendo com o fã do Bolsonaro no Facebook.
O sistema englobou a todos, inclusive a mim, mas ao menos eu tenho consciência disso.
Chupem George Soros e Rothschild!
Enfim, o tempo está passando...




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