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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

fevereiro 16, 2018

Deixem o Neymar em paz.

É inacreditável. 
Como pode o Walter Casagrande ter emprego na maior rede de comunicação do país, e uma das maiores do mundo? O comentarista que se sustenta em foçadas de barra e clubismo mais uma vez ganhou as manchetes durante essa semana, o 'especialista' só se for em pó criticou Neymar após a derrota do Paris Saint Germain para o Real Madrid pelo jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. As palavras que foram vomitadas no programa 'Redação Sportv' foram as seguintes: 

 - O futebol é coletivo. Os times não têm que procurar um cara que tenha o perfil do Neymar. O Neymar é que tem que ter o perfil do time. O Santos do Pelé, apesar de ter outros jogadores geniais ao lado dele...O Pelé, com toda a genialidade dele, descia alguns degraus para fazer parte do coletivo. Não ficava parado no degrau dele forçando para que os outros chegassem até ele. O Neymar ainda não tem a genialidade, o tamanho de um Maradona, de um Messi, de um Cristiano Ronaldo que a equipe pode esperar ele resolver. Não é assim. Os brasileiros se iludem com isso.'


O infeliz ainda continuou:

- Me incomoda a maioria dos torcedores brasileiros e da imprensa ficarem passando a mão (na cabeça) do Neymar. Ele já demonstrou diversas vezes comportamentos fora do coletivo, mimado, colocando até em risco a equipe. Ontem (quarta-feira), ele levou um amarelo no primeiro tempo. Se ele faz mais uma falta ou cava uma, o juiz coloca ele para fora. O que seria desastroso. Isso pode acontecer em uma Copa do Mundo (...) Pô aí falam: "o Cavani não sei o que, contrata (o fulano), o Neymar tem que sair do Barcelona porque está muito nas costas do Messi, aqui o centroavante não combina com ele, vamos levar para ele outro lugar". Estamos criando um monstro, ao invés de corrigir o monstro para ele virar gênio. Não estamos colaborando com o Neymar.

Opinião:

Eu poderia partir para o lado de que o Casagrande colocava não só a equipe dele em risco, como colocava a vida em risco ao cheirar seu famigerado pó branco, poderia dizer que ele é sequelado e não consegue sequer entender uma pergunta (como neste vídeo), também poderia dizer que ele fez um papel rápido em um pornô chancada (aqui) mas todos estamos sujeitos a erros e vamos nos ater ao futebol. 

Durante toda a transmissão do jogo de quarta feira, Galvão Bueno enalteceu o comentarista, afirmando que ele havia conquistado a Champions League pelo Porto. Pois bem, vocês sabem quantos gols Casagrande marcou nessa campanha? Zero (0), sim, ele não fez UM gol sequer. Neymar, campeão pelo Barcelona, por outro lado, foi artilheiro conjunto do torneio (Messi e Cristiano Ronaldo foram os outros) e marcou gol em todos os jogos depois das quartas de finais, sim, em todos, feito inédito na história do torneio. Apenas nesse torneio Neymar marcou 10 gols, 5x mais do que Walter Casagrande marcou em TODA A SUA PASSAGEM pelo Porto. Sim, as estatísticas do Casão pelo clube português são:
Jogos 9.
Gols: 2. 

Chega a ser cômico, e só piora. Se pegarmos apenas a passagem de Neymar pelo Santos, os números são: 
Jogos: 225.
Gols: 136.

Casagrande em TODA  a sua carreira tem:
Jogos: 246.
Gols: 104.

Como jogador Casagrande não foi METADE do que o Neymar é, e olha que Neymar ainda tem apenas 26 anos. Neymar já tem mais que o TRIPLO de gols que Walter teve em toda a sua carreira, isso sem mencionar os títulos, aí seria até covardia. Neymar tem 18 títulos em sua carreira, entre eles: Libertadores, Champions League, Mundial de Clubes e Copa das Confederações. 
Por outro lado ídolo corintiano tem DOIS títulos em toda sua carreira, sendo eles a citada Champions League e uma Coppa Itália, onde foi decisivo. Sim, Casagrande nunca conquistou um título pelo Corinthians.  


Como jogador Casagrande não tem MORAL ALGUMA para falar algo, como pessoa muito menos e olha que Neymar organiza festas com o David Brazil e outros convidados sórdidos.

Enfim, chegamos na parte do 'comentarista Casagrande'. Escondido atrás da figura do comentarista/jornalista esportivo para validar as suas críticas, Walter é um desastre. Ele não segue os princípios básicos de imparcialidade do jornalismo, ele segue um clubismo frenético, isso sim. Todo volante que se destaca no Corinthians acaba por virar o Iniesta para o comentarista: Elias, Jucilei, Renato Augusto... Todos forçados pelo nosso querido Casão. Ainda bem que Jô foi para o Japão, se ele fizesse uns gols no paulista poderia acabar sendo o atacante reserva da seleção brasileira na segunda copa seguida.


O papel de um comentarista esportivo é comentar o que acontece em campo, aí eu te pergunto: Casagrande criticou apenas partida do brasileiro? Se manteve no futebol? Não, Casagrande atacou o Neymar pessoa, não apenas o Neymar jogador.
Desde a ida do brasileiro ao Paris Saint Germain, o aspirador de pó comentarista começou a critica-lo duramente sem o MENOR motivo aparente. Parece que o infeliz desenvolveu algum tipo de raiva pelo craque brasileiro, não sei explicar, você sente a maldade nos comentários, sente a forçação de barra. Toda hora tentando diminuir o futebol de Neymar, toda hora criticando sua decisão de sair do Barcelona, toda hora criticando o comportamento do brasileiro fora dos campos.
Chega a ser inacreditável, ele forçou tanto a barra durante essa semana que fez até o pai de Neymar falar.

Mas e em campo, o que acontece? 

Neymar vai muito bem em sua primeira temporada no clube francês, são 28 jogos e 27 gols fora que o brasileiro também é o líder de assistências do time. O craque vive individualmente a melhor temporada de sua carreira. Se continuar neste ritmo irá dominar o futebol pelos próximos 8-10 anos, então eu te pergunto: QUAL É O MOTIVO DAS CRÍTICAS? 
Uma derrota para o time que é o atual bi-campeão europeu que tem o jogador que foi melhor do mundo em quatro das últimas cinco oportunidades? Neymar jogou tão mal assim?
Vejamos: 
  • Deixou Cavani e Mbappé na cara do gol;
  • Participou do lance do gol com um passe de calcanhar/dividida com o zagueiro;
  • Coordenou o ataque parisiense com dribles e passes.

Acontece que em um dia inspirado de Sérgio Ramos, Cavani estava anulado no ataque. 
Mbappé foi praticamente nulo. 
Lo Celso claramente não estava pronto para o grande palco.
Para ajudar ainda mais, o imbecil treinador da equipe francesa ainda fez uma alteração suicida. Sacrificou seu atacante e colocou o lateral belga MEUNIER em campo. Em pleno Bernabeu, era óbvio que um gol dos merengues acabaria com tudo. Nos primeiros minutos a alteração parecia funcionar, mas, assim que Asensio entrou em campo o erro foi escancarado. A equipe francesa levou um gol em lance de contra-ataque, e sem Cavani para segurar a bola no ataque, o time ficou sem válvula de escape, o Real pressionou e deu no que deu.

Isso sem mencionar os erros de arbitragem e o pênalti PATÉTICO que o argentino Lo Celso cometeu.

Neymar não brilhou, mas passou longe de fazer uma partida ruim. 

Os jornais mundiais fecharam os olhos e simplesmente começaram a criticar o brasileiro a esmo. Isso já é esperado de jornais horríveis como o L'equipe, que tenta gerar intriga com qualquer assunto possível,  e o Mundo Desportivo, jornal que não aceita a saída do Neymar do Barcelona até hoje, mas eu não entendo o motivo disso acontecer aqui, no nosso país, onde Neymar deveria ser adorado. 
Casagrande é um dos pilares desse clima 'anti-Neymar', e é claro que toda a corja da imprensa esportiva saiu em defesa dele, como André Rizek e toda a galera do próprio Redação SporTV.

Conclusão:

Casagrande toda mídia esportiva: se atenham ao futebol ou calem as merdas de suas bocas.

                                  Obrigado por esse vídeo maravilhoso,Romário.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

outubro 31, 2017

Como o maior jogo da história evitou o maior jogo da história.

O ano era 1970, a história você já sabe. Brasil (Tri)campeão, campanha histórica, futebol alegre, seleção lendária e Pelé alcançando sua redenção. Na final do torneio o Brasil passeou, um jogo que resumia o futebol de uma seleção e de uma época. A performance do 'Brasil de Pelé' foi tão dominante que levou o grande defensor Italiano, Tarcisio Burgnich a dizer a celebre frase sobre o 'Rei do Futebol': ''Pensei: ele é de carne e osso como eu. Me enganei[...]''


 
Pelé celebrando seu gol na final de 70 e sendo observado por um incrédulo Burgnich.

Essa é a história ocorrida, porém poderia ter sido bem diferente se não fosse o jogo ocorrido em 17 de junho de 1970. Na semi-final jogada em Guadalajara, o Brasil venceu o Uruguai de virada. Três tentos a um no jogo marcado pelo lendário drible e cotovelada de Pelé no goleiro Uruguaio. Ao mesmo tempo ocorria no Estádio Azteca a partida entre os outros dois semi-finalistas, Itália x Alemanha Ocidental, e é aí que a história começa a ficar (mais) interessante...

Os times chegavam cheios de confiança: a Itália havia se recuperado do maior vexame da sua história, em 1966 quando foi eliminada pela Coréia do Norte SIM, EU DISSE CORÉIA DO NORTE, e fazia uma Copa tranquila e mediana até então. Com um time que tinha como estilo de jogo uma forte defesa CATENACCIO NELES e um contra-ataque rápido. O time italiano contava com jogadores consagrados da Inter de Milão - Que fora bi-campeã européia na década de 60 - Milan -Campeão Europeu na temporada anterior- e Cagliari...Sim, o Cagliari 'era time' nessa época. 

A seleção que entrou em campo era a seguinte: Albertosi; Burgnich, Rosato (Poletti), Cera e Facchetti; Bertini e De Sisti; Domenghini, Boninsegna, Mazzola (Rivera) e Riva. 
Treinador: Ferruccio Valcareggi.   


Enquanto isso a Alemanha, que perdeu a Copa de 1966 no roubo vinha em total ascensão. Como citado anteriormente, o time havia feito uma Copa brilhante em 1966, Franz Beckenbauer (melhor jogador jovem daquela Copa) e Gerd Müller tinham tirado o Bayern de Munique do buraco -SIM, o Bayern de Münique era o equivalente a um Paraná Clube antes desses dois, mas isso é assunto para um futuro post- Uwe Seeler enjoava de fazer gols pelo Hamburgo e Schnellinger, grande defensor que atuava pelo Milan naquela época
A campanha alemã era boa durante a Copa, após uma pequena fase tranquila, a seleção conseguiu derrotar os atuais campeões mundiais em um jogo que ficou marcado pela liderança de Beckenbauer E PELA VINGANÇA AO ROUBO DE 66. 

O time alemão entrou em campo da seguinte forma: Maier; Vogts, Schnellinger, Beckenbauer e Patzke (Held); Schulz e Overath; Grabowski, Uwe Seeler, Gerd Müller e Löhr (Libuda). 
Treinador: Helmut Schön.


O árbitro apitou e logo aos 8'' a Itália toma a frente do placar. Boninsegna acerta um belo chute na entrada da área alemã. Com o calor -e o estilo de jogo das duas equipes- a partida foi morna durante todo o primeiro tempo que acabou 1 x 0 para a Azzurra.

No intervalo, o retranqueiro treinador Ferruccio Valcareggi fez uma substituição que mudaria o rumo do jogo. Trocou o veloz Mazzola pelo experiente (e dono da Bola de Ouro) Rivera. Uma substituição que tinha como intenção cadenciar ainda mais o jogo.

O segundo tempo começa da mesma forma que o primeiro acabou, lento e sem grandes lances. Percebendo que a vaca estava rumando ao brejo a Itália não queria mais saber de jogo, o treinador alemão se lançou ao ataque. Trocou Lörh (meia) por Libidula (atacante), e, Patzke (defensor) por Held (atacante). 

Resultado, a Alemanha encurralou a Itália, porém próximo ao final do jogo um lance acontece... Cera faz falta dura em Beckenbauer. O líder da seleção alemã cai de mau jeito e desloca seu ombro e lesiona sua clavícula.

Com as duas substituições permitidas já realizadas chegava a seguinte questão: E agora? Beckenbauer vai sair de campo? Jogar com um a menos? 'Jamais essa é a Copa do Mundo, c*ralho', foi o que pensou o alemão.

Talvez o pensamento não tenha sido esse, mas a atitude foi exatamente esta. Franz Beckenbauer, sabendo de sua importância para o time alemão, imobilizou todo o seu ombro/braço/antebraço e continuou em campo de forma heróica. Tamanha raça e liderança lhe renderam o apelido de Der Kaiser, ou em belo português O imperador.


  Beckenbauer jogando com sua grave lesão.


Inspirados pelo heroísmo de Beckenbauer, os alemães pressionaram até que aos 45 do segundo tempo chegaram ao empate após cruzamento desesperado de Grabowski e gol de Schnellinger (Aquele que jogava no Milan). Explosão de alegria no Estádio Azteca, a torcida era pró-Alemanha Ocidental, visto que os italianos eliminaram os donos da casa anteriormente no torneio.

A prorrogação veio, logo aos 4 minutos a bola pipoca na área e Gerd Müller não perdoa. Um gol de centro avante, Müller acreditou na falha do zagueiro, correu até a bola e a desviou...a bola rola em câmera lenta para o gol e mal chega a tocar na rede. O placar é 2 x 1 Alemanha.

O jogo segue e quatro minutos depois Rivera cobra uma falta para o meio da área, a bola fica naquele bate-rebate até que Burgnich (aquele da frase sobre o Pelé) chuta para o gol. 


Empate de volta ao placar, mas não por muito tempo. Cinco minutos depois Riva recebe cruzamento com liberdade na entrada da área, corta para a sua perna esquerda e finaliza rasteiro cruzado, Itália na frente de novo.


Final do primeiro tempo da prorrogação e os jogadores estão quase completamente esgotados.

Segundo tempo começa, aos 5 minutos após um ESCANTEIO CURTO chupem essa corneteiros a bola vai em direção ao segundo pau da área italiana, desvio de Seeler em direção a Müller que com um peixinho empata o jogo e vai parar no meio das redes do Azteca.



Gerd Müller mostrando como um centro-avante deve atuar quando uma bola sobra na área em uma Copa do Mundo. Gol em que a foto marcante é ele dentro do gol e a bola fora, coisa maravilhosa aprenda Higuaín.



Apesar de toda a simbologia e 'graciosidade' deste gol, mal deu tempo de comemorar. UM MINUTO depois Riva avança pela esquerda e rola para Rivera (O Ballon d'Or) que finaliza no contra pé de Maier. 

Golpe fatal, a Alemanha não tem mais forças para a reação e acaba perdendo por 4 x 3.

Clique aqui se quiser checar os lances do jogo com seus próprios olhos.


Um belo jogo, mas você deve estar se perguntando o motivo do título deste texto, pois bem, eu vos explico: Uma final entre Brasil x Itália foi boa, porém uma final entre Brasil x Alemanha seria histórica, os dois maiores de todos os tempos se enfrentando em uma final de Copa do Mundo, é uma pena que o destino não quis assim.

Sim, Der Kaiser, ao menos para mim, é o segundo maior jogador de todos os tempos, perdendo apenas para o próprio Edson Arantes. Sua seleção e seu Bayern são provavelmente alguns dos times 'lendários' mais subestimados da história, mas isso é assunto para um post futuro onde abordarei o assunto. Se não fosse pelo erro ASSALTO  de 1966 e a lesão de 1970, provavelmente o futebol não teria um Rei e sim um Imperador. 

Um jogador que mesmo atuando na defesa tem dois prêmios de melhor do mundo em casa (Único defensor a conseguir a façanha), um jogador que conquistou tudo que era possível de se conquistar em sua carreira, um jogador que mesmo tendo um dos maiores artilheiros da história no time (Gerd Müller) conseguia ser o destaque, enfim, a lista segue...

Se em 1966 um jovem Beckenbauer (21 anos) já teve um duelo lendário de igual para igual com Bobby Charlton, e um maduro Beckenbauer (28 anos) 'parou' o lendário Carrossel Holandês de Crujff na Copa de 1974, em 1970 um duelo entre Pelé e Beckenbauer provavelmente seria o jogo mais memorável da história do futebol. Podemos apenas especular, porém este com certeza foi o maior jogo que jamais aconteceu.


Der Kaiser.

João Pedro Martins.