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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

novembro 13, 2017

Exaurido.

4:43 da manhã. 13/11/2017…
Pera lá, DOIS MIL E DEZESSETE? 

Estamos mais perto de 2020 do que de 2010. 

Estamos mais perto de 2030 do que de 2000. 

Estamos na mesma distância de 1987 e 2050.



A Persistência da Memória - Salvador Dalí.


 A sensação de tempo passando me incomoda demais. O excesso de informação eleva ainda mais essa sensação. O tempo está passando e o que você está 'fazendo da vida'? O que eu estou fazendo da vida? Há algo a 'ser feito'? 

Creio que seja tudo mero egocentrismo meu, visto que, não faz diferença nada que eu faça por aqui, nem que seja uma descoberta histórica, uma façanha extraordinária, até mesmo essas serão esquecidas. 

O que? 

Você sabe o nome de algum dos projetores do Farol de Alexandria? 

Sabe o nome de algum arquiteto gótico? 

Lembra o nome de algum comandante da Primeira Guerra Mundial? 


Claro que temos os 'Alexandres', os 'Jesuses' e outras grandes figuras carimbadas da história humana que são lembrados por mais tempo, porém até estes serão esquecidos. E que diferença faz?

 ''Se é assim, pense bem…Por qual motivo você ainda não realizou seu sonho? Por qual motivo você não 'corre atrás'? Por qual motivo você não sai por aí 'metendo o louco'?''. 

É isso que eu me pergunto todos os dias. A melhor resposta creio que seja: EU NÃO SEI 'busca por prazer já não me é prazerosa'. Minhas ambições acabaram, e um ser humano sem ambições em uma sociedade pautada por consumo e venda de sonhos é praticamente um corpo morto. 

Neste momento eu me pergunto: 'O que vai ser de mim?'. Me imagino com 35 anos, tendo uma carreira que eu nunca realmente quis ter, vivendo nervoso, cada vez mais isolado e sozinho até que um dia estarei de saco cheio e 'puff', darei um fim nisto. Isso em um caso otimista, provavelmente acabarei em algum ''sub-emprego'' qualquer, passando aperto e apenas sub-existindo.

Meu conselho para pessoas 'normais' foi sempre o mesmo: 'Corra atrás dos seus sonhos, você vai conseguir!'. Soa até meio controverso, porém, digo por experiência: É melhor lidar com os problemas do sistema do que lidar com os problemas de estar 'fora dele'. 

Funciona mais ou menos como a relação da personagem 'Cypher' com a Matrix No filme Matrix. Ele primeiramente optou pela liberdade (pílula vermelha), porém, a liberdade vinha com um grande preço a ser pago: viver em uma nave sendo caçado por agentes pelo resto da vida, porém Cypher foi esperto, apesar de trair Morpheus, ele optou por um trato com o inimigo: Seria colocado de volta na Matrix sem lembrar de nada, ele continuaria sendo explorado pelas máquinas, porém sem ter a consciência disto, e em troca entregaria Morpheus e sua turminha do barulho...Ele também impôs uma série de condições materiais, mas o que importa é o velho conceito de: A ignorância é uma bênção.



Cypher, o homem que foi consciente.


Se você quiser assistir esta cena clique aqui.


Não, eu não estou me chamando de iluminado, muito menos me colocando acima dos demais. Acontece que ao me deparar com todo o vazio existente na vida sociedade atual eu acabei por ficar de fora dela. É aquela velha balela que todo metido a revolucionário repete feito papagaio: 'Você trabalha feito louco para comprar coisas que não precisa e blá blá blá...'. Porém, ao contrário dos revolucionários, eu não culpo o sistema capitalista, eu não culpo ninguém.

Tudo não passa de construção social, mera balela resultado de nossa consciência. 'Na teoria' fomos feitos para seguir o fluxo da natureza: sobreviver, reproduzir e morrer, mas nossa consciência quebra essa escala. Criamos direitos, costumes, noções de 'certo e errado'...Enfim, criamos a sociedade em si, porém uma vez com essa noção, a sociedade em si perde o valor.

Eu achava (acho) que era tarde demais para mim, talvez não fosse para os outros. Portanto eu sempre os aconselhava a seguir perseguindo seus sonhos, continuar na 'rodinha de Hamster' -a melhor forma de se viver- e eu me lamentava todos os dias por ter 'pulado fora dela', ao menos ideologicamente.

Eu costumava me irritar com esse caldeirão ideológico que a internet se tornou, costumava me irritar com feministas, veganos, conservadores, ancaps, comunistas, capitalistas...Eu era arrogante, pensava comigo: 'Será que eles não conseguem ver? Não é possível, até eu, um ser humano de inteligencia mediana consigo e todo o resto não?'. Não mais. Creio que finalmente entendi.

O capitalismo transformou tudo em bens de consumo, inclusive ideologias. O sistema não se importa se você é comunista ou anarquista, pelo contrário, ele incentiva a pluralidade de ideais e causas no geral, mas, ele também pede algo em troca: Você tem que consumir. 




Você pode ser comunista sem problema nenhum, só que tu deve ter um emprego para comprar uma jaqueta da CCCP no Aliexpress, comprar o Manisfesto na livraria e escutar Rage Against The Machine no Youtube. 




Por qual motivo vocês acham que a elite financeira mundial financia todos esses movimentos pós-modernos? Não, o George Soros não é comunista, ele apenas quer que todas as minorias sintam-se acolhidas dentro do sistema. Ele quer que todos estejam consumindo. É uma matemática bem simples: 

Menos gente excluída do sistema = Mais gente consumindo. 
Mais gente consumindo = Mais dinheiro para o empresário. 

Além disso tem o fato de que esses movimentos pós-modernos não atacam a estrutura capitalista em si, atacam apenas os costumes conservadores. 

O raciocínio é mais ou menos como quando a escravidão chegou ao fim. 

Escravos livres e assalariados + imigrantes europeus = Maior mercado consumidor.
Maior mercado consumidor = Mais dinheiro rodando.

Soma-se a isso o fato de que o sistema democrático caiu perfeitamente nessa estrutura: A democracia dá ao 'cidadão comum' uma falsa sensação de poder, uma falsa sensação de escolha. As pessoas vão votar com a esperança de alguma mudança, as pessoas derrubam ou trocam os presidentes e acham que algo vai melhorar sem sequer pensar que todos os candidatos estão nas mãos dos mesmos banqueiros e afins.

Religiões seguem fazendo seu papel, que aliás, sempre foi o mesmo: manter o pessoal na linha através de ameaças e medo

Desde esportes até vídeo games...indústria cinematográfica, música...Enfim, o que você quiser consumir o sistema vai oferecer. O entretenimento também se tornou uma indústria.

Para finalizar a receita de sucesso temos as redes sociais, a cereja do bolo. Com a falsa sensação de liberdade e a falsa sensação de poder garantidas faltava apenas a falsa sensação de que sua opinião importava. Essa função era da imprensa até a popularização em massa das Redes Sociais. 

Agora o 'cidadão comum' tem um palco para 'expor ao mundo' o que ele pensa, ele tem um lugar para ser ouvido, ele tem um lugar para manifestar sua raiva e revolta...Um lugar para reafirmar suas opiniões e noções de mundo durante todo o dia, um lugar para fazer piadas e outra infinidade de coisas. 

Tendo uma causa/ideologia/religião você tem esperança. 
Tendo opção de manifestar sua ideologia política nas urnas você acha que está fazendo algo. 
Tendo uma rede social você 'luta' por algo, você se sente parte de algo. 
Se nada disso te afagar o suficiente, você ainda tem a opção de ir a uma missa, ou então, assistir a um jogo, ou filme...e voilà...Temos uma sociedade facilmente manipulável e controlada, uma sociedade onde as pessoas começarão a trabalhar aos 18 anos e o farão até o dia de suas mortes sem reclamar de nada e ainda irão agradecer pela 'oportunidade'.

Isso sem se esquecer da pressão moral que existe para que todos façam parte do sistema e qualquer um que fuja disso seja taxado como louco, ou vagabundo.

O sistema é praticamente perfeito.


George Soros, um desconhecido e um dos 400 bilhões de Rothschild existentes.
Todos preocupados com sua discussão ideológica na internet.


Agora vem a parte cômica e trágica, aqui estou eu, no auge da hipocrisia, expondo minhas ideias em uma rede social, procurando um emprego para consumir coisas que não preciso, assistindo futebol quase sempre, jogando videogame rotineiramente e fazendo uma faculdade por pressão social...

Eu sou como a feminista debatendo com o fã do Bolsonaro no Facebook. 

O sistema englobou a todos, inclusive a mim, mas ao menos eu tenho consciência disso.
Chupem George Soros e Rothschild!



Enfim, o tempo está passando...

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

outubro 27, 2017

O QUE ACONTECE COM A VENEZUELA?


Como o país com a maior reserva petrolífera do mundo amarga uma histórica crise econômica e política.



O futuro parecia brilhante para a Venezuela, membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) desde 1960 e dona maior reserva petrolífera do mundo atualmente o país sul-americano vive a sua pior crise financeira da história, o que acarretou em uma grande tensão humanitária e leva muita gente a se perguntar: ‘O que acontece com a Venezuela?’. Segundo levantamento realizado pelo CEPAL em 2013, o país possui 35% de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza, mas o número cresce para 81,8% em pesquisas realizadas por ONGs e Universidades do próprio país. O atual governo de Nicolás Maduro, desmentiu as informações divulgadas em tais pesquisas e garantiu que houveram avanços significativos no combate a pobreza, mesmo com a forte crise econômica que o país atravessa.
As grandes derrocadas na estrutura econômica venezuelana, começaram em 2013. Com a morte do ex-presidente Hugo Chávez e a desvalorização no preço do barril de petróleo mundial (2014), a Venezuela se viu sem um norte, o que acabou por gerar uma imensa instabilidade no país latino.
  1. A morte de Hugo Chávez:
Carismático, populista e no poder desde 1999, Hugo administrava a Venezuela com mãos de ferro. Apesar de envolto em polêmicas e controvérsias, seu governo trazia estabilidade política ao país, estabilidade necessária e suficiente para atrair a confiança de investidores internacionais que movimentavam a economia venezuelana. Com sua morte a estabilidade se foi, e com ela os investidores internacionais.
Foto:AP

  1. A desvalorização no mundial preço do barril de petróleo (2014):
Responsável por 96% das exportações venezuelanas, a atividade petrolífera é a mais rentável do país. A economia do país latino se extremamente dependente da commodity, porém, em 2013 ocorrera um ‘BOOM’ na produção americana do óleo de xisto, composto que serve como substituto do petróleo, o que diminuiu a dependência norte-americana dos países da OPEP. Soma-se a isso a crise na Europa e a demanda petrolífera asiática abaixo do esperado e pronto, temos um cenário de total caos para a economia venezuelana. Rebaixada pelas agências Moody's e Fitch para a categoria ‘de risco de calote’ (em razão do impacto da queda dos preços do petróleo sobre a balança de pagamentos), a economia do país sul-americano virou um verdadeiro repelente para investidores estrangeiros.


Blog: Alessandro Teixeira

Segundo o economista Vinicios Canto, os maiores medos dos grandes investidores internacionais aparecem em função da instabilidade política na Venezuela. Em entrevista, ele diz: ‘Uma possível violação dos direitos humanos, ou um golpe de estado poderiam acarretar em sanções econômicas oriundas dos EUA ou da UE, tais sanções seriam devastadoras para os investidores internacionais no país latino’.
  1. Derrota de Maduro nas eleições legislativas de 2015:
Após as eleições legislativas em 2015, a gestão do atual presidente perdeu a hegemonia na Assembleia Nacional. Uma verdadeira derrota, já que por 17 anos a base aliada de Chávez/Maduro conteve um número superior de parlamentares. A perda de congressistas a favor do governo ou um golpe enorme em favor a oposição, que agora controla dois terços da Assembleia Nacional Constituinte.

Para Maduro, perder o apoio político na Assembleia Nacional é um grande problema, já que a oposição agora tem o poder de interferir nos demais poderes do estado. Tudo isso acarreta em pressões e tentativas de tirá-lo do poder, seja por parte da população e até mesmo dos parlamentares contrários ao governo. Tais parlamentares promoveram em 2016 um referendo, na tentativa de tira-lo do poder, mas, não obtiveram sucesso. A oposição também é responsável por organizar e influenciar grande parte dos protestos e manifestações contrárias ao governo.

A EXPLOSÃO INFLACIONÁRIA:
A moeda local está extremamente desvalorizada por conta da forte inflação que assola o país. Só em 2017 a Venezuela acumula 249% em seu valor inflacionário, que somados há anos anteriores pioram ainda mais a economia. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou que a inflação seguirá descontrolada e prevê constante aumento na inflação podendo chegar em 2000% até 2018.
Para o economista Canto, a incapacidade do país de atender a sua demanda local, a enorme quantidade de leis regulatórias e o esvaziamento completo do setor privado produtivo são os principais motivos para a bola de neve que a inflação venezuelana se tornou: ‘As ‘n’ regulações estatais secaram o setor privado do país. Sem a ajuda deste setor a economia venezuelana se sufocou e se tornou quase totalmente dependente de suas exportações para suprir a demanda interna. Uma vez que sua maior commodity de exportação (petróleo) teve seu valor drasticamente reduzido, a economia nacional ficou de mãos atadas. Com a demanda interna muito maior do que a oferta potencial o resultado é o aumento dos preços, ou seja, processo inflacionário.’.
Com inflação descontrolada e a falta de garantia de pagamento, o país não consegue comprar ou exportar produtos. Assim a Venezuela uns dos maiores produtores de petróleo do mundo, perdeu espaço na venda do produto para países com maior estabilidade financeira, como Nigéria e Cazaquistão.
Para Vinicios a resolução dos problemas econômicos da Venezuela está distante, visto que o governo de Maduro não ‘se ajuda’. Segundo o economista a crise não vai sumir do ‘dia para a noite’: ‘Maduro está em uma situação delicadíssima, tentar retomar o setor produtivo privado, reduzindo um pouco a sua política intervencionista. A transparência nas contas públicas e a redução da dependência externa (á longo prazo) também poderiam ajudar, porém, acho muito difícil o governo conseguir algum êxito em sua empreitada. Maduro perdeu completamente o controle do valor de sua moeda e simplesmente não consegue sinalizar nenhum sinal de melhora aos grandes mercados.’.
Políticas e leis internas colaboraram para a crise atual do país, Vinicios cita a Lei Habilitante, aprovada pelo ex-presidente Hugo Chaves como um dos motivos da atual crise. A lei permite ao presidente legislar sobre temas como segurança, infraestrutura, finanças, serviços públicos, impostos, entre outros. A oposição crítica a decisão até hoje, afirmando que concede poderes ditatoriais ao presidente. Algum tempo depois algumas empresas privadas de rádio e televisão, tiveram parte de suas concessões de funcionamento canceladas.

A CRISE HUMANITÁRIA:
Reflexo da crise econômica, outro grande problema surgiu. A falta de alimentos básicos e produtos de higiene é latente no país. Imagens de pessoas comendo os restos de alimentos nos lixos das principais cidades da Venezuela, se tornaram algo comum para a imprensa mundial, que constantemente relata e divulga a situação difícil da população. A crise afeta todos os setores, grande parte dos hospitais venezuelanos se encontram fechados e a revolta popular é cada vez maior.
O país que um dia foi considerado o ‘El-Dourado’ da segunda metade do Século XX hoje em dia agoniza e vive na sombra do futuro próspero que nunca chegou. A população venezuelana agoniza e aguarda um desfecho para a atual situação crítica de sua pátria. Uma situação que aparentemente ainda irá perdurar por muitos anos mais.