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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O QUE ACONTECE COM A VENEZUELA?


Como o país com a maior reserva petrolífera do mundo amarga uma histórica crise econômica e política.



O futuro parecia brilhante para a Venezuela, membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) desde 1960 e dona maior reserva petrolífera do mundo atualmente o país sul-americano vive a sua pior crise financeira da história, o que acarretou em uma grande tensão humanitária e leva muita gente a se perguntar: ‘O que acontece com a Venezuela?’. Segundo levantamento realizado pelo CEPAL em 2013, o país possui 35% de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza, mas o número cresce para 81,8% em pesquisas realizadas por ONGs e Universidades do próprio país. O atual governo de Nicolás Maduro, desmentiu as informações divulgadas em tais pesquisas e garantiu que houveram avanços significativos no combate a pobreza, mesmo com a forte crise econômica que o país atravessa.
As grandes derrocadas na estrutura econômica venezuelana, começaram em 2013. Com a morte do ex-presidente Hugo Chávez e a desvalorização no preço do barril de petróleo mundial (2014), a Venezuela se viu sem um norte, o que acabou por gerar uma imensa instabilidade no país latino.
  1. A morte de Hugo Chávez:
Carismático, populista e no poder desde 1999, Hugo administrava a Venezuela com mãos de ferro. Apesar de envolto em polêmicas e controvérsias, seu governo trazia estabilidade política ao país, estabilidade necessária e suficiente para atrair a confiança de investidores internacionais que movimentavam a economia venezuelana. Com sua morte a estabilidade se foi, e com ela os investidores internacionais.
Foto:AP

  1. A desvalorização no mundial preço do barril de petróleo (2014):
Responsável por 96% das exportações venezuelanas, a atividade petrolífera é a mais rentável do país. A economia do país latino se extremamente dependente da commodity, porém, em 2013 ocorrera um ‘BOOM’ na produção americana do óleo de xisto, composto que serve como substituto do petróleo, o que diminuiu a dependência norte-americana dos países da OPEP. Soma-se a isso a crise na Europa e a demanda petrolífera asiática abaixo do esperado e pronto, temos um cenário de total caos para a economia venezuelana. Rebaixada pelas agências Moody's e Fitch para a categoria ‘de risco de calote’ (em razão do impacto da queda dos preços do petróleo sobre a balança de pagamentos), a economia do país sul-americano virou um verdadeiro repelente para investidores estrangeiros.


Blog: Alessandro Teixeira

Segundo o economista Vinicios Canto, os maiores medos dos grandes investidores internacionais aparecem em função da instabilidade política na Venezuela. Em entrevista, ele diz: ‘Uma possível violação dos direitos humanos, ou um golpe de estado poderiam acarretar em sanções econômicas oriundas dos EUA ou da UE, tais sanções seriam devastadoras para os investidores internacionais no país latino’.
  1. Derrota de Maduro nas eleições legislativas de 2015:
Após as eleições legislativas em 2015, a gestão do atual presidente perdeu a hegemonia na Assembleia Nacional. Uma verdadeira derrota, já que por 17 anos a base aliada de Chávez/Maduro conteve um número superior de parlamentares. A perda de congressistas a favor do governo ou um golpe enorme em favor a oposição, que agora controla dois terços da Assembleia Nacional Constituinte.

Para Maduro, perder o apoio político na Assembleia Nacional é um grande problema, já que a oposição agora tem o poder de interferir nos demais poderes do estado. Tudo isso acarreta em pressões e tentativas de tirá-lo do poder, seja por parte da população e até mesmo dos parlamentares contrários ao governo. Tais parlamentares promoveram em 2016 um referendo, na tentativa de tira-lo do poder, mas, não obtiveram sucesso. A oposição também é responsável por organizar e influenciar grande parte dos protestos e manifestações contrárias ao governo.

A EXPLOSÃO INFLACIONÁRIA:
A moeda local está extremamente desvalorizada por conta da forte inflação que assola o país. Só em 2017 a Venezuela acumula 249% em seu valor inflacionário, que somados há anos anteriores pioram ainda mais a economia. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou que a inflação seguirá descontrolada e prevê constante aumento na inflação podendo chegar em 2000% até 2018.
Para o economista Canto, a incapacidade do país de atender a sua demanda local, a enorme quantidade de leis regulatórias e o esvaziamento completo do setor privado produtivo são os principais motivos para a bola de neve que a inflação venezuelana se tornou: ‘As ‘n’ regulações estatais secaram o setor privado do país. Sem a ajuda deste setor a economia venezuelana se sufocou e se tornou quase totalmente dependente de suas exportações para suprir a demanda interna. Uma vez que sua maior commodity de exportação (petróleo) teve seu valor drasticamente reduzido, a economia nacional ficou de mãos atadas. Com a demanda interna muito maior do que a oferta potencial o resultado é o aumento dos preços, ou seja, processo inflacionário.’.
Com inflação descontrolada e a falta de garantia de pagamento, o país não consegue comprar ou exportar produtos. Assim a Venezuela uns dos maiores produtores de petróleo do mundo, perdeu espaço na venda do produto para países com maior estabilidade financeira, como Nigéria e Cazaquistão.
Para Vinicios a resolução dos problemas econômicos da Venezuela está distante, visto que o governo de Maduro não ‘se ajuda’. Segundo o economista a crise não vai sumir do ‘dia para a noite’: ‘Maduro está em uma situação delicadíssima, tentar retomar o setor produtivo privado, reduzindo um pouco a sua política intervencionista. A transparência nas contas públicas e a redução da dependência externa (á longo prazo) também poderiam ajudar, porém, acho muito difícil o governo conseguir algum êxito em sua empreitada. Maduro perdeu completamente o controle do valor de sua moeda e simplesmente não consegue sinalizar nenhum sinal de melhora aos grandes mercados.’.
Políticas e leis internas colaboraram para a crise atual do país, Vinicios cita a Lei Habilitante, aprovada pelo ex-presidente Hugo Chaves como um dos motivos da atual crise. A lei permite ao presidente legislar sobre temas como segurança, infraestrutura, finanças, serviços públicos, impostos, entre outros. A oposição crítica a decisão até hoje, afirmando que concede poderes ditatoriais ao presidente. Algum tempo depois algumas empresas privadas de rádio e televisão, tiveram parte de suas concessões de funcionamento canceladas.

A CRISE HUMANITÁRIA:
Reflexo da crise econômica, outro grande problema surgiu. A falta de alimentos básicos e produtos de higiene é latente no país. Imagens de pessoas comendo os restos de alimentos nos lixos das principais cidades da Venezuela, se tornaram algo comum para a imprensa mundial, que constantemente relata e divulga a situação difícil da população. A crise afeta todos os setores, grande parte dos hospitais venezuelanos se encontram fechados e a revolta popular é cada vez maior.
O país que um dia foi considerado o ‘El-Dourado’ da segunda metade do Século XX hoje em dia agoniza e vive na sombra do futuro próspero que nunca chegou. A população venezuelana agoniza e aguarda um desfecho para a atual situação crítica de sua pátria. Uma situação que aparentemente ainda irá perdurar por muitos anos mais.

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