Sinto muito dizer mas hoje não é um bom dia. Hoje é o dia do meu aniversário.
Eu não gosto de comemorar essa data, talvez seja por causa da minha infância, a forma como lidei todos os anos com essa data que deveria ser muito importante.
É só mais um dia pra lembrar que nada tem sentido. Que eu não tô morta.
Que um dia vou morrer.
Não importa quantas festas você dê, quantos parabéns você cante, quantas velas você apague. O seu único desejo sempre vai ser comemorar mais um ano.
O mais irônico é que hoje, nesse dia chamando aniversário, eu sonhei com uma pessoa morta. E por quê? Não sei. O que significa? Não sei também. Mas essa é a vida, enquanto dorme você sonha com uma realidade paralela e quando acorda corre o risco de estar morto.
Ver os olhos da morte nua e crua na sua frente te faz pensar sobre qual escolha deveria dar á sua alma. E acredite a face que a morte tem não é nada parecido com o "Puro Osso"; ela tá mais próxima de algo com epiderme.
E é por isso que o aniversário deveria ser um dia melancólico, preto e cinza. Porque porra os anos estão passando e com ele a tua vida tá se esvaindo, escorrendo bem entre suas mãos.
Isso tudo, esse dia, esses instantes me lembram um poema que gosto muito, chamado: Versos Íntimos. Do autor Augusto dos Anjos.
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
No meu ponto de vista a gente conquista tudo o que quer para morrer no final. Ou não conquista nada e mesmo assim morre. Devido a isso todos os dias estamos mortos, ou seja, no nosso aniversário estamos duplamente mortos pela capacidade de acrescentar mais um ano para o dia da nossa morte.
Esse é o peso de viver, pensar que a vida é só morrer. Eu penso toda vez que estou no ônibus indo para o trabalho. Penso quando ponho meus fones de ouvidos na rua. Penso até quando estou tomando banho esperando alarmantemente que alguém entre no banheiro e com um machado quebre a porta, semelhante ao filme "O iluminado."
Eu penso... penso... penso muito, para chegar a uma conclusão de nada. Porque no fundo eu só queria agendar minha morte e ir andando até a minha cova.
Mas não dá cara, não é assim.
E se fosse assim eu iria desejar ser surpreendida.
Mas é isso, aniversário é uma merda e eu sou hipócrita demais porque eu adoro aquele bolo de aniversário cheio de glacê encostando na coxinha. É quase um fetiche. E isso quebra todo meu argumento sobre o péssimo dia chamado "feliz aniversário".



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